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A Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas de Resende (antes denominada BE do AVEResende) era constituída, no ano letivo de 2009/2010, pela Biblioteca do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros (BCESMM) e pela Biblioteca Dr. Joaquim Correia Duarte (BJCD). No ano letivo de 2010/2011, a BE ficou enriquecida com a Biblioteca do Centro Escolar de Resende (BCER). Em 2011/2012, com a junção de escolas, o Agrupamento de Escolas de Resende passou a ter, com a BEgas (Biblioteca da Escola Secundária), quatro bibliotecas em funcionamento. Atualmente, e desde 2013/2014, a BE é formada por mais uma biblioteca, a do Centro Escolar de S. Cipriano (BCESC). Constituem objetivos principais da BE: disponibilizar recursos e serviços, para todas as escolas do agrupamento, e fomentar, entre estas, o diálogo e a cooperação, em parceria com as entidades locais, de modo a contribuir para a consolidação da Rede de Bibliotecas Escolares; Promover o serviço de marketing da BE.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Bibliop@per no Dia Mundial da Alimentação



6º H comemora o Dia Mundial da Alimentação
No Dia Mundial da Alimentação, o 6º H, turma de PCA, foi convidada a comemorar a temática, realizando um bibliop@per na sua Biblioteca Escolar.
Para dar resposta ao bibliop@per preparado, os alunos foram divididos em equipas e necessitavam de consultar dicionários, livros e pesquisar dados na Internet. Depois de completarem vários provérbios relacionados com a alimentação, terminavam as tarefas propostas, respondendo, individualmente, a um inquérito para conhecerem a qualidade da sua dieta alimentar.
A actividade pareceu-nos interessante e ter merecido a anuência dos participantes. Por isso, endereçamos, desde já, o convite a todos os outros alunos/turmas que queiram vir experimentá-la. Para o efeito, basta inscreverem-se na Biblioteca Escolar.

Comemoração do Dia Mundial da Alimentação


No âmbito das actividades comemorativas do Dia Mundial da Alimentação, a Biblioteca Escolar dinamizou a actividade intitulada "Livro digital" (PowerPoint realizado pela equipa da biblioteca do Centro Escolar), a partir da leitura de "Viagem ao Mundo da Alimentação", escrito por Manuela Leitão e ilustrado por Maria João Pereira.
Esta actividade de sensibilização teve como objectivos:
· Fazer com que as crianças aprendam, de maneira fácil e agradável, os princípios gerais de uma alimentação saudável e algumas regras que lhe estão associadas;
· Criar laços de afectividade com os livros e incentivar o diálogo, na sala de aula e em casa, promovendo a discussão familiar da temática em questão;
· Dar a conhecer mais um serviço que a Biblioteca disponibiliza.
Na continuidade deste evento, e na presença do senhor Director do Agrupamento, houve também a acção interventiva da senhora técnica de saúde ambiental do Centro de Saúde de Resende, Dr.ª Marta Guimarães, que apresentou e explorou, com muito entusiasmo, o PowerPoint "Alimentação saudável".

No desenvolvimento destas duas actividades, foram contemplados os elementos da Roda dos Alimentos, os alimentos menos aconselhados, as refeições diárias e a sua constituição ideal, a higiene e as regras alimentares a que se deverá atender, para se poder desfrutar de uma vida activa e saudável, o que mereceu a atenção de todos os participantes.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

16 de Outubro - Dia Mundial da Alimentação

O Dia Mundial da Alimentação é reconhecido, em muitos países, como a mais importante data para alertar e consciencializar a opinião pública em relação a questões relacionadas com a nutrição e a alimentação.
Como sabemos, o homem não é apenas o que come e o corpo humano depende muito da qualidade e da quantidade dos alimentos que são ingeridos.

Recordamos, neste dia, que todo e qualquer cidadão tem direito a uma alimentação acessível, nutricionalmente correcta e culturalmente aceitável, para que possa usufruir de uma vida activa e saudável.

Ler a crescer! - Pão nosso de cada dia

Pão nosso de cada dia

Viviam juntas mãe e filha. Uma encantava pela modéstia; outra irritava pela toleima – apesar de ser bonita. Certa noite, a mãe, não podendo adormecer, preocupada a pensar no destino de sua filha, ajoelhou-se e pediu a Deus que modificasse o feitio de Sília, fazendo-a bondosa e discreta.
Na manhã seguinte, perguntou-lhe:
— Que sonho era aquele, filha, quando esta noite cantavas?
— Ai, sonhava, minha mãe, que um senhor descia de uma carruagem de cobre e me oferecia um anel com uma jóia tão preciosa e brilhante que não haverá no céu estrela de maior brilho.
— Foi um sonho de vaidade! – responde a mãe. E nisto batem à porta. Sília corre e vai abrir: entra um rico lavrador. Oferece-lhe terras de lavoura, montados, hortas, pomares, uma infinita riqueza!
— Mesmo que viesses em carro de cobre e me desses uma jóia mais fulgurante e mais bela do que uma estrela do céu, não casaria contigo. O lavrador, desiludido, foi-se embora, e, nessa noite, Sília voltou a sonhar.
— Com quem estás tu a sonhar? – perguntou a mãe, acordando-a.
— Ai, sonhava, minha mãe, que um senhor descia de uma carruagem de prata e punha nos meus cabelos valiosíssimo diadema de oiro!
— Que pecado, minha filha! Vai rezar para abrandar esse teu grande egoísmo! Na tarde do dia seguinte um moço esbelto, sadio, apareceu a oferecer-lhe a sua vida, a sua fortuna, o seu amor.
— Nem que viesses em carro de prata e pusesses nos meus cabelos formosíssimo diadema de oiro eu casaria contigo!
E o moço partiu tristemente.
— O teu orgulho há-de perder-te! – dizia a mãe para a filha. Outra noite, Sília voltou aos seus sonhos de perdição e ao ser interrogada pela mãe, contentíssima, exclamou:
— Ai, sonhava que um fidalgo descia de um carro de oiro e pedindo-me em casamento oferecia-me um vestido de rubis e diamantes.
— Não te emendas, minha filha, mas hás-de pagar bem caro essa fome de grandezas.
Momentos depois três carros paravam à porta onde residiam ambas. Um de bronze, outro de platina e outro de cristal. O primeiro puxado a doze cavalos; o segundo, a vinte cavalos; e o terceiro, a quarenta! Dos carros de bronze e platina desceram pajens vestidos de seda verde e azul. Do carro de cristal saiu um lindo rapaz coberto de pedraria. Entrou em casa de Sília e, de joelhos e humilde, beijou-lhe as mãos num sorriso.
— Finalmente, sou feliz! O meu sonho transformou-se na mais bela realidade.
E orgulhosa foi vestir o vestido de noivado. Partiram para a igreja. Os cavalos galopavam num frémito de alegria.
— Vou dar a minha mulher os meus presentes! – dizia ele ao regressar, e entrando na sala suave do seu palácio de turquesa:
— Tudo isto é para ti.
Sília sorriu e a sorrir foi-lhe dizendo:
— Sabes que já tenho fome?
— Ponham a mesa e sirvam-nos o banquete! – gritou ele aos seus vassalos.
Saladas de topázio, assados de ametistas e doce de pérolas; todos comiam e repetiam. Só ela não podia comer. A medo pediu um bocadinho de pão.
— É a única coisa que não te posso dar! – respondeu ele.
E desatou às gargalhadas, gargalhadas metálicas, cantantes, porque o seu coração também era de metal.
Ela chorou!
— Chorar para quê? Não desejavas tudo isto? Não tens agora o que sempre ambicionaste?
Rodeada de riquezas, saía do palácio, à noite, e andava de porta em porta disfarçada e muito triste, a pedir cheia de fome um bocadinho de pão.

Os Contos de António Botto
Marginália Editora, s/d

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Biblioteca Escolar recorda o aniversário da República



No âmbito da educação para a cidadania, a Biblioteca Escolar Joaquim Correia Duarte começou ontem a promover breves debates com os alunos das turmas do 5º ano, sobre a Revolução do 5 de Outubro de 1910 – A Implantação da República.
Após um curto diálogo acerca da razão do feriado de segunda-feira, os alunos falaram entusiasmadamente de monarquia e república, de reis e presidentes.
De seguida, visionaram um CD-ROM, onde lhes foi apresentada, muito sumariamente, a Revolução bem como as razões próximas que a motivaram. Analisaram e explicaram o significado da Bandeira Nacional. Terminaram a sessão, entoando respeitosamente o Hino nacional.
Certos de que não esgotámos o tema, pois muito mais haveria a dizer, acreditamos que conseguimos despertar a curiosidade e o prazer de voltar à Biblioteca, para pesquisar mais informação sobre o assunto!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Comemoração do Dia Mundial da Música e do Dia Internacional do Idoso

No âmbito das actividades comemorativas do Dia Mundial da Música, os alunos do ensino pré-escolar e os alunos do 1.º ciclo do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros puderam assistir a três actuações musicais realizadas por alguns alunos da Escola EB2 do nosso agrupamento, estabelecendo um saudável convívio e intercâmbio entre escolas.





A comemoração do Dia Internacional do Idoso foi contemplada, no contexto físico da biblioteca, através da narração de contos do património oral da região e da descrição de brincadeiras tradicionais, por parte de alguns elementos da nossa comunidade educativa, nomeadamente assistentes operacionais (D. Isabel Chaves e D. Chinha Xavier) e avós (D. Carolina Miranda e Srs. Manuel Pereira e Carlos Antunes).


Calorosas salvas de palmas agradecidas e um certificado de participação foram os singelos presentes que oferecemos aos nossos prezados convidados.

sábado, 26 de setembro de 2009

1 de Outubro - Dia Mundial da Música e Dia Internacional do Idoso

No Dia Mundial da Música, podemos homenagear todos aqueles que apreciam música nas suas formas mais diversas, para além de músicos e compositores. Este dia comemorativo foi criado em 1975, pela UNESCO, tendo como principal objectivo fomentar a reflexão sobre a Música nas Sociedades Modernas.
Recordamos também, nesta data, o Dia Internacional do Idoso como dia de reconhecimento do grande contributo das pessoas com mais experiência de vida, para a manutenção de uma comunidade responsável e íntegra de valores.
Lembramos que a família é o núcleo da sociedade e o elemento primordial na prestação de cuidados, afectos e acompanhamento solidário e social.

Ler a crescer! - O cestinho de romãs

O cestinho de romãs

Inspirado numa história tradicional portuguesa

Não havia ninguém que gostasse tanto de romãs como a avó Adelina! Gostava de as olhar, de as pôr bem no centro da mesa a enfeitar o dia, e também de as comer, de se deliciar com os seus grãozinhos doces.
Por isso, a sua amiga Miquelina lhe ofereceu, por altura do Dia de Reis, um cestinho de romãs.
A avó Adelina agradeceu-lhe muito, de olhinhos a brilhar, mas depois pensou:
“Vou dar este cestinho de romãs à minha filha Maria!”
Pegou numa folha de papel branco e fez um lindo guardanapo recortado, com o qual forrou o cestinho. Depois, foi a casa da filha. Viu que ela não estava em casa e resolveu deixar-lhe o cestinho em cima da mesa da sala de jantar. Como ela ia ficar contente! Em cima do guardanapo de papel recortado, as romãs ainda pareciam mais rainhas.
Quando a filha chegou a casa e viu as romãs, ficou admirada e logo teve uma ideia:
“Vou dar este cestinho de romãs à minha filha Aninhas!”
E se bem o pensou, melhor o fez. Levou o cestinho para casa da sua filha Aninhas, que tinha acabado de casar e ainda andava a arrumar os tarecos. Como ela ia ficar contente!
Como a filha tinha saído para comprar pão, deixou-lhe o cestinho de romãs em cima de um aparador e foi-se embora em bicos de pés, a sorrir da surpresa que lhe tinha feito.
Quando a Aninhas chegou a casa, ficou admirada e logo teve uma ideia:
“Vou dar este cestinho de romãs à minha avó Adelina!”
Ela sabia muito bem que o melhor presente que a sua avó poderia receber era, sem sombra de dúvida, um cestinho de romãs. Por isso, entrou muito sorrateira em casa da avó, que por acaso tinha deixado a porta aberta e cantarolava lá ao fundo, no quintal, e com muita cautela pôs o cestinho em cima da mesa. Depois, em bicos de pés, saiu e foi para sua casa, a sorrir da surpresa que a avó ia ter.
E foi mesmo uma surpresa! Quando a avó Adelina viu o cestinho, já seu conhecido, em cima da mesa, a enfeitar o dia e o seu coração, duas lágrimas de ternura escorreram-lhe pelas faces enrugadas. Aquelas eram as mais lindas romãs que havia em todo o mundo.

Maria Alberta Menéres
O livro de Natal
Porto, Porto Editora, 2003

Ler a crescer! - À beira do Lume

À beira do lume

Sossegadas as balbúrdias do dia, já a noite vinha devagarinho deitar pozinhos de sono por aqui e por ali.
Sentadas à lareira da velha casa, a avó e a neta começaram a pensar qual havia de ser a última história do dia.
— Conte lá a história da Carochinha! — pediu a Mariana.
A avó admirou-se:
— Outra vez?! Mas tu nunca me deixas acabar como deve ser...
— Hoje deixo! — prometeu a menina.
E a avó contou a história da Carochinha, como ela é conhecida.
Falou da Carochinha à janela, toda contente por ter encontrado uma moeda ao varrer sua casinha:
— Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha?
— “Quero eu, quero eu!” — tinham dito um cão, um gato, um galo, um boi, um burro...
Mas a Carochinha não tinha gostado da voz de nenhum deles e todos se tinham ido embora. Até que apareceu um ratinho: “Quero eu, quero eu!”
— Oh, como és engraçado! Ora fala um bocadinho, para eu ouvir bem a tua voz!
— Chi... Chi... Chi...
— Que linda fala! Vamos já casar! Vamos já casar!
E assim foi. No dia da boda, já iam a caminho da igreja para o casório, quando a Carochinha deu por falta de uma luva que tinha esquecido na cozinha, ao mexer o panelão que fervia ao lume.
— Vou já buscar a luva! — disse o ratinho, muito amável.
— Tem cuidado, não te debruces no caldeirão!!! — avisou a noiva.
— Bem — continuou a avó — o ratinho foi até à cozinha e...
A neta, que ouvia a história com muita atenção, disse de repente: — Mas a porta estava fechada!!!
A avó continuou:
— Pronto, a porta estava fechada e então o ratinho foi logo a ver da chave...
— Mas não a encontrou!!! — disse muito depressa a Mariana.
— Bem — continuou a avó — o ratinho então subiu a um postigo de grades que dava para a cozinha, e...
— Viu que não cabia por entre as grades!!! — acudiu muito aflita a Mariana.
A avó não desistiu:
— Bem, então o ratinho, que era muito esperto e queria ir buscar lá dentro da cozinha a luva da Carochinha, pôs-se à procura de um buraco na porta pelo qual entrasse...
— Mas não encontrou!!! A porta era nova! — interrompeu a Mariana.
— Bem, então não pôde ir buscar a luva da Carochinha à cozinha e voltou muito triste para junto da sua noiva, que...
— Ó avó, escusa de dizer agora que ela lhe deu a chave da cozinha, porque eu sei que não deu nada!!! — quase gritou a neta.
— Por acaso era isso mesmo que eu ia dizer... — riu a avó.
E as duas, avó e neta, ali ficaram a rir e a brincar à beira do lume e à beira de uma velha história da Carochinha que a neta não queria, por nada deste mundo, que acabasse…

com o João Ratão
cozido e assado
dentro do caldeirão!

Maria Alberta Menéres
Histórias de tempo vai tempo vem
Porto, Edições Asa, 1988

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Comemoração do Dia Internacional da Paz na Biblioteca




Tendo como principal objectivo comemorar o Dia Internacional da Paz, os alunos do ensino pré-escolar e alguns alunos do 1.º ciclo do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros estiveram presentes na Biblioteca.
Começaram por identificar os vários espaços da Biblioteca (espaço de atendimento, de consulta geral, de leitura informal, do cantinho da leitura, de trabalho de grupo, de trabalho individual, de áudio e vídeo e de multimédia).
No cantinho da leitura, dialogaram sobre a importância dos livros e os cuidados a ter com eles, enquanto amigos.
Prosseguiram com uma breve explanação sobre o dia que hoje se comemora, antes de partirem para a leitura e exploração dos livros “Partilhar e dar a vez”, de Cheri J. Meiners, e “O Soldado João”, de Luísa Ducla Soares, os alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo, respectivamente.
Na despedida, manifestaram a sua alegria por terem estado na Biblioteca, prometeram utilizá-la, com mais frequência, e agradeceram a atenção da senhora professora bibliotecária.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

21 de Setembro - Dia Internacional da Paz

Vamos recordar este dia!
«Considerando que o Dia Internacional da Paz constitui uma oportunidade única para fazer cessar a violência e os conflitos no mundo inteiro e que, por conseguinte, é importante que seja conhecido e observado o mais amplamente possível no seio da comunidade internacional.»

Centro da Informação das Nações Unidas em Portugal
www.onuportugal.pt

Ler a crescer! - O Soldado João


O Soldado João

Era uma vez um soldado chamado João. Vinha de sachar milho, de regar cravos, de semear couves e manjericos.
Agora, toca a marchar, de espingarda ao ombro, mochila às costas, botas de cano, farda a rigor.
Pelos campos fora, o soldado João era a vergonha dos batalhões. Trazia uma flor ao peito, punha as mãos nas algibeiras, coçava o nariz, não acertava o passo. E, para cúmulo, assobiava ou cantava modinhas da sua aldeia.
Bem lhe ralhava o sargento, o ameaçava o capitão, o castigava o general.
Notou que os dois generais inimigos coxeavam ligeiramente, descalçou-lhes as botas e pôs-se a tirar-lhes os calos.
Então, o incrível aconteceu.
Os dois generais levantaram-se ao mesmo tempo e condecoraram-no com duas luzentes medalhas de ouro.
Como era noite, acharam que já passara o tempo da guerra, apertaram as mãos e partiram em paz.
O soldado João sete dias andou até chegar à sua aldeola, onde de novo sacha milho, rega cravos, semeia
couves e manjericos.

Luísa Ducla Soares
O soldado João
Porto, Editora Civilização, 2002

Ler a crescer! - O Conto do Planeta Esperar


O Conto do Planeta Esperar

Um dia, a escola terá um ensino activo de comunicação relacional.

Era uma vez um grupo de homens e mulheres que, farto de viver num planeta onde reinava a falta de comunicação, a incompreensão, a violência, a injustiça e a exploração da maioria pelas minorias burocráticas, políticas ou militares, decidiu exilar-se.
Sim, deixar o seu planeta de origem, o planeta CALAR, para ir viver num planeta diferente que aceitara acolhê-los.
Devo dizer-lhes, desde já, o que tornava este planeta – chamado ESPERAR – diferente. Na verdade, trata-se de um fenómeno relativamente simples mas que, por ser raro, merece grande atenção. Neste planeta, as crianças aprendiam, desde a mais tenra idade, a comunicar, ou seja, a pôr em comum. Aprendiam a pedir, a dar, a receber ou a recusar. De certeza que vão sorrir ou ficar incrédulos perante algo tão pueril ou tão óbvio que não merece a atenção ou o interesse de seja quem for.
Vão pensar que exagero ou que tenho segundas intenções.
Convido-os, no entanto, a escutar.
No planeta ESPERAR, também com uma longa história de guerras e destruições durante milénios, tinha-se finalmente compreendido que a seiva da vida, o que alimenta o bem-estar, a energia vital e, sobretudo, o que dá vivacidade ao amor, é a qualidade das relações que podem existir entre os seres humanos: entre as crianças e os seus pais, entre os próprios adultos.
Tal descoberta não aconteceu sem dor. Foram necessários o empenho e a fé de vários pioneiros, o rigor e a coerência dos que os seguiram, para aceitar o que estava há muito tão mascarado e tão velado, a saber, que todos os habitantes eram, na origem, doentes, deficientes devido à falta de comunicação.
Por exemplo, muitos não sabiam pedir e, por isso, não se arriscavam nem a ouvir uma anuência nem uma recusa. Mas usurpavam, impunham, culpabilizavam, violentavam, para ter e para obter.
Sim, devo dizer-lhes de imediato que o deus que reinava nesta época distante no planeta ESPERAR era o deus TER. Cada qual queria comprar, roubar, tirar aos outros, fechar nos cofres, capitalizar o deus TER. Este reinava sobre as consciências, impunha as suas normas, e a sua moral regulava a circulação das riquezas, violava todas as leis humanitárias, contornava todos os regulamentos em proveito próprio.
A maioria dos seres humanos dessa época não sabia dar; vendia, trocava, enganava para escapar à partilha, entesourava para acumular, guerreava-se continuamente para ter mais e mais.
O receber era frequentemente maltratado. Acolher, expandir tudo o que pudesse ter vindo do outro, era arriscado e desaconselhado.
A intolerância à diferença orientava a maioria para um pensamento único, para os integralismos ou para o “politicamente correcto”. Recusá-los era igualmente apostar em muitas ambivalências, sendo a recusa entendida como oposição, rejeição, desqualificação e não ponto de vista, afirmação positiva quando se tem a liberdade de dizer não, dentro do respeito por si mesmo e pelos outros.
Nessa época, o deus TER apoiava-se em princípios fortes, postos em prática no quotidiano da vida pessoal, profissional e social de cada um.
Recordarei apenas alguns a título indicativo porque, evidentemente, estes princípios tornaram-se hoje caducos no planeta ESPERAR.
O primeiro, de que faziam absoluta questão os pais e os professores da altura, era falar sobre os outros. Sim, sim, não é falar com os outros, mas falar deles, dando ordens, ditando-lhes, por exemplo, aquilo que deveriam pensar ou não, sentir ou não, dizer ou não, fazer ou não. Como compreenderão facilmente, tal princípio destinava-se a manter, tanto quanto possível, as crianças na dependência, e a desenvolver este estádio para proveito de alguns, eternizando relações de dominadores-dominados.
Outro princípio era o de praticar a desqualificação ou a desvalorização.
Ver e pôr de imediato em evidência as faltas, as lacunas, os erros, e não valorizar os êxitos, os ganhos ou os sucessos. A isto juntava-se a culpabilização, muito apreciada, porque evitava o pôr-se em causa ou a responsabilidade, tornando o outro culpado pelo que nos acontecia ou mesmo pelo que poderíamos sentir. «Vê só como me magoas, como me tornas infeliz não seguindo os meus conselhos…»
A chantagem, a dependência, a manipulação completavam os princípios já enunciados para manter, entre os seres humanos, um estado de desconforto, de dúvida, de ambivalência e de antagonismo, propício a desconfianças, violências e desejos de querer mais e mais. A dado momento da história deste planeta, eram tantos os conflitos e as guerras – não de um país contra outro, mas no interior do mesmo país – que dois em cada três seres humanos sobreviviam na insegurança, na pobreza, e com o espectro da fome sempre presente. Nunca houvera tanta exploração económica e sexual das crianças, tantos genocídios friamente decididos, tanta tortura e intolerância.
O homem tornara-se um predador tremendo, dotado de poderes tecnológicos, químicos e biológicos, e capaz de manipulações audiovisuais tão poderosas que nenhum contra-poder podia deter. Em seguida, veio um estado crítico em que a violência íntima, uma violência de sobrevivência, irrompeu nas famílias, nas aldeias, nos bairros das grandes cidades. O aparecimento desta violência, cada vez mais precoce, despertou as consciências. Via-se crianças de oito e dez anos a queimar e a torturar adultos surpreendidos, aturdidos, incrédulos. Pensarão que estou a deturpar, para vos assustar, uma realidade que pode parecer muito semelhante à vossa!
Não pensem, contudo, que todos permaneciam passivos ou inactivos.
Muitos mobilizavam-se, as reformas sucediam-se, as comissões reuniam, os tribunais internacionais tentavam julgar os mais criminosos, alguns ditadores na reforma já não se sentiam seguros, os ministros eram levados a tribunal, os financeiros célebres eram postos na prisão. Havia cada vez mais pessoas a não pactuar com os desvios deste tipo de sociedade.
Mas, como repararam em relação ao nosso próprio planeta, todas estas acções se faziam a jusante, muito mais tarde, e não havia qualquer reforma a montante. Nem uma reforma para uniformizar, reconciliar, propor a cada um as regras de higiene relacional susceptíveis de dar lugar a relações vivas,criadoras, de convivência.
Foi, no entanto, o que fizeram, em algumas décadas, estes pioneiros, estes “despertadores” de vida do planeta ESPERAR, quando convenceram os pais, os adultos, a descer à rua para fazerem greve social. Nunca tal se tinha visto na história deste planeta: homens e mulheres decidiram fazer greve de existência para tentar salvaguardar o pouco de vida que ainda subsistia.
Como é que fizeram? Pararam de trabalhar, de comprar, de utilizar os transportes públicos e privados, de ver televisão, saíram para a rua, encontraram-se, partilharam, ofereceram o que tinham, comungaram a nível das necessidades mais básicas. Ensinaram-se mutuamente o pouco que conheciam sobre uma outra forma de comunicar e de descobrir em conjunto o melhor de si mesmos através do melhor nos outros.
O que se passou em seguida não foi simples: as diligências foram complexas, as resistências fortes, mas um dia, num dos países deste planeta, decidiu-se ensinar a comunicação na escola como uma disciplina de pleno direito, tal como as outras: exprimir-se, ler, escrever, contar, criar, comunicar. E, neste país, a violência começou a desaparecer, a qualidade da saúde (física e psíquica) melhorou, os homens e as mulheres descobriram que podiam permitir-se ser felizes.
Um dia, os homens e as mulheres que ainda vivem, sobrevivem no planeta CALAR, tornado inabitável, decidirão talvez, não exilar-se e ir viver para o planeta ESPERAR, mas aprender a comunicar, a trocar, a partilhar de uma outra forma.
Perguntar-me-ão onde fica o planeta ESPERAR.
Confesso: é urgente inventá-lo em cada cantinho de universo, em cada lugar onde há vida.

Jacques Salomé
Contes à aimer. Contes à s’aimer
Paris, Albin Michel, 1994