Os remadores, crianças como o João, cantavam em coro. João apurou o ouvido para poder escutar. Mas não entendia as palavras do canto. E que lindo ele era! Mas em que língua seria cantado? João não entendia.
Era uma língua estranha, talvez não pertencente a um país com fronteiras. E João dizia alto:
— Venham escutar!
O pai, a mãe, os irmãos, rodearam João. Chegaram vizinhos, gente de todas as idades. E ninguém entendia. E o barco descia o rio. O Sol luminoso como nunca! O céu muito azul, nítido. Todos, pai, mãe, filhos, vizinhos, davam as mãos. Numa grande paz. Com amizade verdadeira. E o barco descia o rio azul, devagarinho, carregado de flores, de crianças que remavam e cantavam. Este canto – que João amava e todos amavam – tem um segredo. E são vocês, meus Amigos verdadeiros, que o vão cantar! Que vão dizer as palavras daquele canto. As palavras do seu amor. É essa a maravilha de ser criança. Termos sempre um rio azul. Que beija a terra e vai ter ao mar.
Matilde Rosa Araújo
O Chão e a Estrela
Lisboa, Editorial Verbo, 2000


